A introdução da pesquisa científica na rotina acadêmica do ensino superior

Por agosto 20, 2018Notícias, Paula Dorigatti

Ao chegar ao Ensino Superior os alunos passam de pronto a receber diversas solicitações de seus professores para desenvolverem pesquisas ligadas as diferentes disciplinas dispostas na matriz curricular do curso escolhido. Nesse momento, o aluno que até então desenvolvia pesquisas na escola “copiando e colando” e utilizando como fonte de pesquisa a wikipedia, se sente muito perdido e precisa da atenção e ajuda de seus professores-orientadores para compreender o real significado e importância da palavra pesquisa.

Em sentido bem amplo pesquisar representa se esforçar para descobrir, para conhecer algo novo. A pesquisa demanda questionamento e investigação, ou seja, é buscar respostas significativas para solucionar problemas teóricos ou práticos com o emprego de processos científicos. Para Lakatos (2008, p. 157), “[…] pesquisa é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que requer tratamento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais”. O conhecimento adquirido com a pesquisa contribuirá para a ampliação do conhecimento acumulado e para a construção e/ou transformação das teorias já existentes.

A pesquisa se desenvolve em seis passos: Seleção do problema que será investigado; Definição e diferenciação do problema da pesquisa; Análise das hipóteses de trabalho; Coleta, sistematização e organização dos dados; Exame e interpretação dos dados e; Narrativa dos resultados da pesquisa (MARCONI e LAKATOS, 1999).

Uma boa pesquisa precisa ser previamente planejada e precisa passar por algumas etapas, são elas: Preparação da pesquisa –  que é o momento em que o pesquisador decide realiza-la, classificação dos objetivos, de um esquema, da equipe que irá trabalhar, além de um levantamento dos recursos disponíveis; Fases da pesquisa – Definida pela seleção do tema, identificação de dados, formulação do (s) problema (s) da pesquisa, Definição dos termos, Construção das hipóteses, Delimitação da pesquisa, Amostragem (se houver), Seleção das técnicas e métodos utilizados e Teste dos instrumentos e procedimentos; Execução da pesquisa – Coleta,  produção  e interpretação de dados e conclusões; Relatório de pesquisa (MARCONI e LAKATOS, 2008).

Pesquisar é um fato bem natural. Com o tempo a pesquisa deixou de ser apenas para os cientistas e passou a ser uma atividade comum realizada por qualquer pessoa interessada. Assim, o professor, o médico, o advogado, o engenheiro pode, dentro das suas respectivas áreas de atuação, submeter a pesquisa como forma de solucionar suas dificuldades ou abrir novas possibilidades. Porém, a pesquisa só poderá ser classificada por Pesquisa Científica, se for realizada com aplicação da Metodologia Científica e das técnicas adequadas para se obter resultados relevantes. Falamos sobre essas etapas da pesquisa no parágrafo anterior. Para os principiantes a utilização do método cientifico deve ser mais importante do que os resultados obtidos. O objetivo deve ser aprender a percorrer as fases do método cientifico.

A pesquisa terá tido sucesso se contribuiu para formação de uma consciência crítica. O aprimoramento não tem fórmula mágica, ele é uma conquista que o aluno galga ao longo da elaboração dos seus trabalhos acadêmicos. Para Barros e Lehfeld (1986, p.88-89) “[…] A Pesquisa Científica consiste na observação dos fatos tal como ocorrem, espontaneamente, na coleta de dados, no registro de variáveis presumivelmente relevantes para análises posteriores. Sem pesquisa não há progresso. A pesquisa é um processo reflexivo, sistemático, controlado e crítico que nos conduz à descoberta de novos fatos e das relações entre as leis que regem o aparecimento ou ausência dos mesmos”.

É preciso desmistificar que a Pesquisa Científica é muito difícil e que só apenas as pessoas “especiais” são capazes de desenvolvê-la, pois, essa ideia errônea costuma causar um bloqueio nos estudantes que os impedem de se dedicarem as suas pesquisas. É apenas uma questão de hábito! Habituar-se com a leitura e com a produção de textos técnicos (com as citações e demais Normas vigentes). Seguir um método é importante para se alcançar a verdade, mesmo sabendo que apenas a verdade não garantirá o êxito da pesquisa. O mais importante é a compreensão do assunto estudado e, para isso, é preciso ler rotineiramente e ter a curiosidade sempre aguçada. Não espere o seu professor demanda-lo para começar a desenvolver as suas pesquisas. E aí, quantos livros você já leu esse ano?

 

Referências Bibliográficas:

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Científica.5ª edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2002.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6ª edição. São Paulo: Atlas, 2008.

BARROS, Aidil Jesus Paes de; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia: Um guia para iniciação científica. São Paulo: McGraw-Hill, 1986.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: Planejamento e execução de pesquisas, Amostragens e técnicas de pesquisa e Elaboração, análise e interpretação de dados. 4ª edição. São Paulo: Atlas, 1999.

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