O zelo com o meio ambiente interfere diretamente nas nossas vidas, na nossa política e nos nossos negócios. Por conta disso, é importante que saibamos que todas as nossas decisões irão causar impactos sociais e ambientais. É preciso criar uma cultura de gestão ambiental participativa e reconhecer que a crise ambiental é uma questão coletiva e pública. Combinar o aproveitamento econômico com a sustentabilidade ambiental é um dos grandes desafios que exigem o esforço de toda a sociedade.

A discussão sobre a sustentabilidade dos recursos naturais mereceu destaque nas principais conferências sobre o meio ambiente, tais como “[…] o Relatório Meadows, como marco de preocupação dos problemas ambientais globais; A Conferência de Estocolmo, representando a coroação do movimento ambiental; O Nosso Futuro Comum, que enfatizou o conceito da sustentabilidade do desenvolvimento econômico; e a Conferência do Rio de Janeiro, que traduziu os problemas ambientais em um plano de ação – a Agenda 21” (MOTA, 2001, p.28).

Nossa sociedade é conhecida por “sociedade de consumo” porque consumir é muito mais do que satisfazer as necessidades básicas, consumimos de forma impulsiva influenciados pela publicidade, que cria padrões de consumo e forma estilos de vida. Em contrapartida, precisamos nos conscientizar que a população mundial mais que dobrou; Devido ao processo de industrialização, o consumo  cresceu muito e, logo, a poluição e o lixo também aumentaram. Estudos apontam que consumimos 20% a mais dos recursos naturais renováveis do nosso planeta Terra é capaz de recuperar. Assim, a crise ambiental atual precisa servir como pontapé para construção da ecocidadania, influenciada pelos ecoeducadores.

A Educação ambiental é uma prática social e educativa que objetiva a construção de conceitos, valores e atitudes que contribuam para a atuação responsável individual e coletiva com o nosso meio ambiente que está tão castigado. A relação entre a sociedade e a natureza precisa ser regida pela ética de maneira salutar.

Precisamos cuidar mais do nosso meio ambiente, mas precisamos cuidar mais ainda da formação ambiental das novas gerações. Aí entra o papel da escola. Os alunos de hoje serão incumbidos das futuras ações políticas e econômicas e, por isso, precisam compreender a importância de se preservar os recursos naturais de forma responsável.  Além disso, sabemos que os nossos principais hábitos são desenvolvidos durante a infância, então é importante que a escola introduza essa discussão o quanto antes para que o aluno chegue a vida adulta com valores sólidos e sabendo respeitar a natureza. A educação é a nossa “arma” mais importante no combate aos problemas ambientais futuros.

A escola precisa criar estratégias que envolvam o aluno a nível teórico e prático no ensino da sustentabilidade. É preciso criar projetos que incentivem o aluno a pensar e praticar a sustentabilidade de modo com que ele perceba que essa é uma questão do mundo e que a participação dele é muito importante. Uma boa maneira para tratar do assunto, é desenvolver projetos criativos focados nos “3Rs”: reciclagem, reutilização e redução da produção de lixo. Por exemplo: Projeto para o plantio de árvores na comunidade, Plantio e manutenção pelos alunos de uma horta orgânica dentro da escola, Adoção de sistema de reciclagem de lixo, Utilização de materias escolares reciclados, Incentivar a troca de livros, Estimulá-los a frequentar os sebos, Projetar para as turmas documentários importantes que tratem do tema, etc.

Um dos grandes problemas dos processos educativos denominados “transversais” (Educação Sexual, Educação em Saúde, etc.) em que se encontra a Educação Ambiental, é a falta de compreensão do significado da dimensão política em Educação. Não adianta apenas focar na ecologia, precisamos viabilizar atitudes que contribuam para uma sociedade ambiental. Portanto, a escola poderá ajudar a construir um cidadão apto a exercer a sua cidadania, objetivo básico da educação ambiental, devendo considerar essa formação como instrumento necessário à sua formação como cidadão ético e consciente das suas ações em atos de cidadania.

Uma importante forma de pensar sustentável é o cuidado com o nosso lixo. A gestão sustentável dos resíduos pode trazer grandes benefícios, com ganhos financeiros, para as nossas cidades, como por exemplo: Geração de renda para os nossos catadores; Produção de produtos reciclados; Geração de energia advinda da decomposição da matéria orgânica presente no lixo; Reciclagens dos entulhos gerados pela construção civil, dentre outros.

Em contrapartida aos esforços da escola, a família precisa apoiar e incentivar que as atitudes sustentáveis sejam um hábito dentro de casa. Caso contrário, o aluno poderá questionar se aquilo é mesmo necessário ou, na pior das hipóteses, deixar os aprendizados de lado. Praticar a sustentabilidade é uma excelente oportunidade para criarmos gerações responsáveis e capazes de preservar o meio ambiente nos anos que ainda virão. As instituições de ensino e as famílias precisam se unir e tratar a sustentabilidade como tema da vida real, imprescindível para manutenção da nossa vida na Terra.

Por: Abeepp/Paula Dorigatti

Bibliografia:
MOTA, José Aroudo. O Valor da Natureza: Economia e política dos recursos naturais. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.
BURSZTYN, Marcel. A Difícil Sustentabilidade: Política energética e conflitos ambientais. Rio de Janeiro: Garamond,2012.
LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo; LAYRARGUES, Philippe Pomier; CASTRO, Ronaldo Souza de. Educação Ambiental: Repensando o espaço da cidadania. 2ª edição. São Paulo: Cortez, 2002.
TRIGUEIRO, André. Mundo Sustentável: Abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação. São Paulo: Globo, 2005.
Paula Dorigatti

Sobre Paula Dorigatti

Graduada em Direito pela Faculdade Novo Milênio/Pós-Graduada em Direito Constitucional pela Universidade Anhanguera/Docente na Faculdade Novo Milênio e Orientadora de trabalhos acadêmicos

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