A partir da alfabetização, somos conduzidos a desenvolver a escrita através da produção de textos cada vez mais consistentes. Porém, para que essa habilidade se desenvolva, é preciso que sejamos encorajados desde a primeira infância, através dos livros, histórias e músicas infantis. Para estimular o gosto pela leitura, é preciso um envolvimento de todos que estão ao redor da criança (pais, avós, professores, etc.), pois eles precisam servir de exemplo.
Conforme a criança vai crescendo, acontece dela perder o interesse pela leitura, pois, às vezes, ela é obrigada a ler apenas o que não gosta. Assim, começa a ler cada vez menos até que isso não faça mais parte da sua rotina. Além disso, precisamos mencionar a influência da internet na vida do estudante: Apesar de ser uma ferramenta maravilhosa, quando mal utilizada, pode prejudica-lo no sentido de fornecer respostas rápidas e prontas (muitas vezes de fontes sem credibilidade), sem incitar a pesquisa. Além disso, a comunicação virtual está cada vez mais abreviada, cheia de gírias, neologismos e estrangeirismos. Nas salas de aulas, o professor raramente escreve na lousa (prefere utilizar slides prontos) e o aluno raramente copia o conteúdo, pois ele acha mais fácil fotografar o conteúdo projetado pelo docente.
Toda essa pressa do mundo atual tem interferido diretamente na escrita dos nossos alunos. Um aluno que não tem hábito de ler, não pode escrever bem. Como isso, podemos observar uma queda na qualidade dos profissionais que estão tentando ingressar no mercado de trabalho. De que adianta, por exemplo, ser um excelente contador, muito bom nos cálculos que faz, se ele não se sente capaz de produzir um texto ou de se sentir seguro para falar em público? A formação, independente da profissão, precisa contemplar todas as habilidades e competências necessárias para a vida profissional. Para que isso aconteça, é preciso fazer um trabalho de equipe: aluno, escola e professor.
Escrever é diferente de falar, mas para entrar no mercado de trabalho, é preciso dominar bem as duas técnicas. A grande diferença entre elas, é que quando se fala, o interlocutor está presente – falamos para alguém. Isso quer dizer que caso a fala não tenha ficado clara, pode-se explicar novamente no mesmo momento, até que a mensagem fique clara. Além disso, lançamos mão do uso das expressões faciais, dos gestos e do tom de voz diferenciado. A escrita é o contrário: quem vai ler está longe e a compreensão do texto depende exclusivamente dela.
Pensando assim, escrever é muito mais difícil do que falar. Se escrevemos para alguém que está distante e, que muitas vezes nem conhecemos, precisamos escrever com muita clareza e sem dar margem a duplas interpretações. Contudo, para escrever com clareza é preciso compreender muito bem o que se quer transmitir. Isso leva tempo, exige dedicação e muita leitura. É preciso ter um objetivo bem definido, planejar o texto e reescrevê-lo quantas vezes for necessário. Na dúvida, peça a alguém da sua casa para ler e dar a sua opinião. É uma atividade bastante trabalhosa, mas que vai ficando cada vez mais fácil com o tempo, a medida em que se tornar um hábito.
Um bom texto é aquele em que se consegue transpor para o papel ideias claras, escritas com as palavras de quem o redige. Além disso, é necessário conhecer a gramática portuguesa e as normas (pelo menos as mais básicas) da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Para que isso aconteça, a escola tem um papel fundamental de fornecer todas as condições necessárias para que esse aprendizado ocorra de maneira contínua e produtiva. Quando essa tarefa não é bem realizada, o aluno “colherá os frutos” quando tentar ingressar no mercado de trabalho. Por isso disse anteriormente que é um trabalho de equipe, uma tríade: o bom resultado depende do esforço de todos.
Com o intuito de contribuir para o assunto, Mandryk e Faraco (1998, p. 143) sugerem o seguinte roteiro de estudos que deve ser seguido antes de escrever um texto:

[…] Para que um conjunto de frases constitua um bom texto, é fundamental que haja: a) unidade temática (tratar do mesmo assunto); b) unidade estrutural (boa sequência de ideias e boa costura entre as partes). Para planejar um texto, é importante responder com clareza as seguintes questões: a) sobre o que vou escrever? (Assunto); b) para quem vou escrever? (Destinatário); c) com que finalidade? (Objetivo). Depois disso: d) tendo em vista meu (s) destinatário (s), meu (s) objetivo (s) e tudo que sei sobre o assunto: – Quais as informações mais relevantes que devem estar em meu texto? (Seleção de ideias) – Qual a melhor sequência para essas ideias? (O que colocar na abertura do texto; como dar continuidade ao texto; o que reservar para o fechamento do texto?). Ao escrever: – cuidar para que todas as partes estejam harmonicamente costuradas.

Escrever bem deverá ser o diferencial para o seu ingresso no mercado de trabalho. Além disso, mostra que você sabe se comunicar corretamente (linguagem escrita e oral), auxilia na boa argumentação, é imprescindível para a aprovação em qualquer vestibular, desenvolve a criatividade, além de ser a melhor maneira para multiplicar conhecimentos.
Para começar é preciso construir novos conhecimentos. Como? Lendo jornais, revistas, artigos de periódicos (de fontes confiáveis ou científicas), lendo obras literárias consagradas ou estudando a bibliografia básica indicada pelo seu professor. A partir daí, siga o roteiro mencionado acima e comece a escrever! Em pouco tempo ler e escrever se tornará uma atividade rotineira e prazerosa. Lembre-se que o texto precisa ser legível (ortografia e gramática), ter embasamento (bons argumentos), foco (ter início, meio e fim bem delimitados), e paixão (se o seu texto não for importante para você, também não será para os outros).
Vemos um mercado de trabalho cada vez mais exigente e precisamos nos capacitar para que estejamos aptos a concorrer a melhores oportunidades ofertadas. Para tanto, precisamos estimular os nossos alunos e faze-los entender que esse esforço será compensador.

Por: Abeepp/Paula Dorigatti

Bibliografia:
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37º edição. Rev., ampl. e atual (conforme novo acordo ortográfico). Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: Leitura e redação. 16º edição. São Paulo: Editora Ática, 2000.
Paula Dorigatti

Sobre Paula Dorigatti

Graduada em Direito pela Faculdade Novo Milênio/Pós-Graduada em Direito Constitucional pela Universidade Anhanguera/Docente na Faculdade Novo Milênio e Orientadora de trabalhos acadêmicos

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